convite de lançamento do espaço dos escritores

Posted: sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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http://www.leguarulhos.com.br/

Pedreira

Posted: sexta-feira, 12 de novembro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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O caminho continua lá

infinito, implacável fato, água

mole é o tempo que ele fura.

E o caminho continua lá

indelével, imortal feito pedra

dura, a encarar o sujeito.

Há liberdade da imprensa?

Posted: sexta-feira, 29 de outubro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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por Fabiano Fernandes Garcez

Você conhece aquela anedota do rapaz que passeava próximo ao estádio do Morumbi e viu que um Pit Bull iria atacar uma criança, então um homem aparece e mata o animal, salvando a garotinha. O rapaz, comovido com a cena, se identifica como jornalista e diz que colocaria a seguinte manchete em seu jornal: São paulino salva garota indefesa de animal feroz! O homem agradece, porém diz que não é são paulino e sim corintiano, no dia seguinte a manchete é: Corintiano assassina animal de estimação!

O interessante da piada, além da brincadeira com o clichê futebolístico e preconceituoso, é a reflexão que podemos tirar das manchetes, afinal, nenhuma delas é mentira. O Pit Bull é feroz e também é um animal de estimação, porém ao escolher determinadas palavras o autor do texto acaba por revelar um determinado juízo de valor, ou seja, o fato não foi fabricado, como acontece com muitos fatos no campo do jornalismo esportivo, no entanto a forma de transmissão desse fato foi manipulada. Nenhuma escolha semântica passa incólume, cada palavra que usamos a escolhemos para servir às nossas convicções, ideais, ideologias e, principalmente, interesses.

Nestes últimos dias, período de eleição, podemos notar que as grandes instituições jornalísticas —rádios, TVs, sites e jornais—, estão preocupadíssimas em eleger seus candidatos preferidos, —é necessário dizer que a maioria prefere o mesmo candidato? Jornalistas, articulistas, colunistas, cronistas publicam em seus espaços tentativas de justificar suas escolhas eleitoreiras ou seria a tentativa de induzir o leitor? É como escolher um dos termos animal feroz ou de estimação e depois apresentar justificativas para isso.

Alguns argumentos utilizados por esses jornalistas é o fim da liberdade de imprensa, porém muitos se esquecem que o fim da liberdade de imprensa começa dentro da própria imprensa, vide o caso, mais recente, da colunista Maria Rita Kell que foi demitida por defender o Bolsa Família em sua coluna no Estado de São Paulo, outro foi a saída do jornalista Heródoto Barbeiro do comando do programa Roda Viva, da TV Cultura, por fazer uma pergunta ao candidato José Serra sobre os caríssimos pedágios das estradas paulistas, ainda na TV Cultura existe outro caso, mais antigo, a jornalista Salete Lemos foi demitida por justa causa do jornal noturno da emissora por criticar as tarifas ilícitas cobradas pelos maiores Bancos brasileiros. Há alguns meses conversando com um jovem jornalista, jovem no sentido estrito da palavra, sem a atribuição de um valor negativo como: imaturo ou inseguro, me confidenciou que duas de suas matérias foram recusadas por seu editor, uma delas, sobre problemas de uma escola estadual, porém ele conseguiria atribuir o problema, não me lembro qual era, a União, a outra não poderia ser publicada por falar mal de “nosso patrão”, o governo do Estado de São Paulo.

No dia 27/10/2010, vi a capa do jornal O Estado de São Paulo e não havia nenhuma manchete sobre o escândalo da vez: A paralisação das obras do metrô de São Paulo por denúncias de fraude na licitação da linha Lilás. O que isso prova? Que a imprensa vive sobre a ditadura ideológica de cada jornal ou emissora ou até mesmo da instituição patrocinadora desses veículos, só um exemplo o contrato do Governo de São Paulo com o Grupo Abril é de R$ 3,7 milhões. Resta saber se que ouvimos, lemos ou vemos são realmente opiniões de seus autores ou é apenas a ordem dos donos dessas instituições, porque sabemos que caso discordem não se manterão no emprego.

O jornalista Heródoto Barbeiro quando entrevistado, disse que a função da imprensa é ser neutra, porque ninguém é imparcial, pois, segundo ele, somos humanos e temos opiniões e convicções. Será que a imprensa de hoje é mesmo neutra ou está mais para cabo eleitoral?

O leitor atento e crítico tem ferramentas para diferenciar cada caso, no entanto de todos os leitores do Brasil, quantos são atentos e críticos?

Infelizmente hoje a grande mídia reflete o bipartidarismo da cena política brasileira. Político com rabo preso é encontrado aos montes, não que isso seja natural, não é, mas menos natural ainda é jornalista com rabo preso. Tenho que fazer justiça aos pequenos diários de bairro e sites independentes onde a neutralidade ainda existe e é perceptível, diante disso surge a questão nas grandes instituições jornalísticas há liberdade de imprensa?

Obs.: Todos os dados mencionados aqui são facilmente encontrados em uma rápida procura em sites busca ou de vídeos, exceto, é claro, o que contei por ter vivido ou ouvido, não mencionei nomes por colocar em risco o emprego de terceiros.

Feira Itinerante de Troca de Livros no Senac Guaratinguetá

Posted: terça-feira, 19 de outubro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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O poeta Guarulhense Fabiano Fernandes Garcez autografará seu livro Diálogos que ainda restam na Feira Itinerante de Troca de Livros no Senac Guaratinguetá.



O Senac Guaratinguetá promove, entre 18 e 22 de outubro, a 8ª edição da Feira Itinerante de Troca de Livros, evento gratuito que percorre anualmente as unidades da rede Senac São Paulo com o objetivo de disseminar o universo da leitura nas comunidades por onde passa.

Durante o evento, alunos, professores e frequentadores da biblioteca do Senac Guaratinguetá poderão trocar obras que já leram por outro título disponível. As trocas serão realizadas das 9 às 21 horas. A unidade também receberá doações de livros, gibis e revistas.

Desse modo, reciclam-se materiais de leitura, fomentando a difusão de informações, com obras que passam pelas mãos de quem geralmente não tem oportunidade de adquiri-las pela compra. Os materiais devem estar em perfeito estado de conservação – critério válido tanto para trocas quanto para doações. Livros de didáticos e de cunho religioso e político não serão permitidos.

Além disso, a unidade receberá livros novos, como publicações da Editora Senac São Paulo, que serão comercializados com 30% de desconto no local, e contará com uma programação cultural diferenciada.

Informações pelo telefone (12) 2131-6300 ou pessoalmente na recepção do Senac que fica na avenida Doutor João Baptista Rangel de Camargo, nº 50, Centro

Programação

18 de outubro
19h30 – Abertura com apresentação do Sarau Cênico realizado pelo Grupo Dell`arte Companhia Teatral, sob direção de Souza Heiras
20h30 – Literatura na tela – Machado de Assis: uns braços
21h30 – Sorteio de livros dos selos Vale em poesia e Três por quatro, da Editora Multifoco

19 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com autores de Cachoeira Paulista. Livros Acontecência, do poeta Jurandir Rodrigues, e O Expectador da Vida, do artista e escritor Jurandir Fábio Monteiro, cujas obras (quadros e esculturas) estarão expostas durante o evento
20h30 – Palestra Literatura x Tecnologia, com o professor Jurandir Rodrigues

20 de outubro
19 horas – Sessão de autógrafos com a autora mirim Sofia Helena Lourenço Barbosa (Aparecida). Livro Palavra de Criança.
20 horas – Sessão de autógrafos com os poetas guaratinguetaenses Tonho França (livro O Bebedor de Auroras) e Dora Vilela (Bordados do Avesso)
20h50 – Palestra Revisão: linhas e caminhos, com o professor e poeta Adams Alpes

21 de outubro
19 horas – Tributo a José Afonso de Freitas, poeta de Aparecida e autor do livro Aquém do Lago Azul
20h30 – Sessão de autógrafos dos livros Ecos e Outros Versos, de Eryck Magalhães (Guaratinguetá), e Prometo Ser Breve, do contista Wilson Gorj (Aparecida)

22 de outubro
19 horas – Oficina Poesia Não!, ministrada pelo professor Clebber Bianchi
20h15 – Sessão de autógrafos com os poetas Clebber Bianchi, autor de À Medida dos Tempos (Taubaté), e Fabiano Fernandes Garcez, Diálogos que Ainda Restam (Guarulhos)
21 horas – Ciranda de poesia com os poetas da Editora Multifoco
22 horas – Encerramento com novo sorteio de livros

Rumo

Posted: quinta-feira, 7 de outubro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores: ,
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Oscilo
entre o suspiro abstrato
e o desejo
de um grito concreto

neste ônibus lotado

Insônia

Posted: terça-feira, 21 de setembro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Eu não quero tomar remédio para dormir;


Eu não quero tomar remédio para parir;

Eu não quero tomar remédio para sorrir;

Eu não quero tomar remédio pra não doer;

Eu não quero tomar remédio pra não morrer;

Eu não quero tomar remédio para viver;

Eu não quero tomar remédio pra controlar;

Eu não quero tomar remédio pra acalmar;
Não vou tomar remédio para me calar.

21º Bienal do livro de São Paulo

Posted: terça-feira, 10 de agosto de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Olha aí, Felipe Melo!!

Posted: terça-feira, 27 de julho de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Profeta Millôr

Posted: sábado, 24 de julho de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Biblia do Caos: Novo Evangelho


Leia todos clicando aqui


IV.
Fica frio, amigo, não foi o brasileiro o inventor da corrupção. Baseado no mais profundo ensinamento da minha religião, a corrupção começou no Princípio dos Princípios, justamente no Jardim do Éden.

Quando os dois proto-Safados, corrompidos pela Serpente, desrespeitaram a Lei do Senhor e comeram o Fruto da Ciência do Bem e do Mal, o desrespeito espantoso ficou conhecido como A Queda. Mas não passou assim pelo Todo (como era conhecido o Todo-Poderoso), que condenou os três culpados por uso indevido de bem público e formação de quadrilha.

Logo o Anjo Gabriel, executor das ordens do Supremo, expulsou Adão e Eva do Paraíso, obrigando-os a viver na periferia, a leste do Éden. Mas a Serpente, misteriosamente, nunca foi punida

A tua poesia

Posted: domingo, 11 de julho de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Quando estarei

com a tua poesia?

(quero ouvir, enfim

tocar a tua poesia)

Sensível e quieta

desvelar a sensação

singela: se derrama

no pulsar da tua rima,

palavra que desliza,

cadência quente e viva

mina de teu engenho

que é empenho, é suor

sobretudo inspiração

- se aquieta só então

consumada a poesia

Intimamente

desnudar tuas pistas:

me revela denso

segredo e ousadia,

a ânsia, a afasia

tão bonita, tão intensa

quanto o próprio

Alumbramento

ver o céu, ver o céu!

ser em ti o próprio céu

sim, emana em mim o céu

da tua poesia.


Roberta Villa

Para Piva

Posted: domingo, 4 de julho de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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Ah! Menino-demônio
Anjo-velhaco
Pegaste o elevador fantástico
para pousar na brilhante neve infernal

Esporra essa metralhadora giratória de impropérios
em minha boca torta
em meu ouvido invisível
em meus orifícios violados
em meus poros pudicos
para que junto de ti e ao sol roxo de vergonha
eu deixe distanciar minha inocência
em mais um tapete voador

Soneto Quase Bom

Posted: quinta-feira, 17 de junho de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Ceder a outra a face à quem nos fere
é ato reservado aos de alma nobre.
( talvez o raciocínio seja pobre
mas segue do que a estrofe abaixo infere).

Ser bom é viver bem consigo mesmo
ainda que os amigos tirem sarro.
É ser beijado às vésperas do escarro,
é dar o porco em troca do torresmo.

É fofo, é lindo, é belo, é edificante.
Análogo ao esforço vão do arbusto
que teima em dar abrigo a um elefante.

Se quer viver assim, calcule o custo:
ser homem, ou ser cu, já dói bastante.
Então pra que ser bom, além de justo?

André Prosperi

Convite:

Posted: domingo, 6 de junho de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in
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DIA 12 DE JUNHO DE 2010
Lançamento do livro



do poeta CLEBBER BIANCHI

às 17 horas na Livraria Café e Cultura em Guarulhos
Avenida: Dr. Renato de Andrade Maia, 765 – Parque Renato Maia – Guarulhos – SP
Presença de vários poetas, escritores, músicos e amantes da arte literária.

Soneto Breve

Posted: quinta-feira, 3 de junho de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Os tais
que piscam
se arriscam
demais.

Pois tudo
é rápido
- e pálido
e mudo.

Ponteiros
nos dão
roteiros.

Coveiros,
a mão
e o chão.

André Prosperi

Sobre o sonetar e o sonetado

Posted: domingo, 30 de maio de 2010 by Emmanuel G. Lisboa in
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Lendo os sonetos do André e pensando eu decidi escrever as parcas e insosas linhas que seguem. Amo o soneto, como forma bela que é, sou realmente apaixonado pela melodia que há em cada uma de suas linhas, isto sem contar sua pluralidade temática e sua possibilidade filosófica – é afinal o soneto – a filosofia da nossa língua.
Mas a vaca gorda é o sonetário que se forma e que tenho o gosto de acompanhar. O prosaísmo dos versos que tem aparecido por aqui, são curiosamente belos. Belos e jocosos. Fazendo com que eu pense um pouco no panorama da poesia mais contemporânea que existe que é essa da internet, feita nela e para ela. Uma poesia mortal isso sim que nasce na internet. Porém na figura de André Prosperi talvez ascenda um desejo poético de conteúdo e forma que abertamente bate no tempo presente.
Invoco os leitores desse blog à discussão, leiamos estes sonetos e falemos um pouco deles, em forma e fundo que é isso que surge nesse poeta.

A Energia do Pensamento Positivo Na Prática

Posted: quinta-feira, 27 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Xavier Creff - Vale a Pena Ouvir

Posted: sábado, 15 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Compartilho com vcs minha descoberta. As músicas foram retiradas do Álbum L'ours Blanc au Panthéon, de Xavier Creff.
Espero que gostem.


Ils


Pots de Vin

Resenha : O Orientalismo - E. Said

Posted: quinta-feira, 13 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in
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Em “Orientalismo”, Said defende a tese que o Oriente é uma criação do Ocidente, promovendo de “Orientalismo” como forma de discurso resultante da elaboração ocidental, que criou dentro de seu sistema acadêmico e intelectual uma espécie de categoria e um tipo de erudito especifico – o Orientalista. Na realidade o que está em jogo é essencialmente uma relação de poder na qual o discurso orientalista constrói e legitima a situação entre dominantes e dominados. Para Said, falar de Orientalismo é a princípio falar de uma empresa Cultural Francesa e Britânica e que, após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se uma empreitada norte-americana. Desta forma o Ocidente, ao construir a imagem de um Oriente inferior, pobre e autoritário, simultaneamente estava construindo sua auto-imagem de superioridade, riqueza, democracia. A manipulação e veiculação dessas idéias gerou conseqüências desastrosas para a humanidade.Como exemplo, o autor aponta a questão da dominação americana no Oriente, e descreve a pretensão ocidental desde Napoleão no século XVIII, de mudar o mapa do Oriente Médio.

Roberta Villa

Para ler na íntegra, vá em "artigos"...

Soneto Simpático

Posted: terça-feira, 11 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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- Baseado em preceitos de Emmanuel Lisboa -

Afora Deus, só o chato é onipresente.
Mas Deus não aparece toda hora.
O chato, porém, surge e se demora
por mais que nosso adeus seja insistente.

No mundo há vários chatos. Entretanto,
há um tipo que encabeça a hierarquia:
aquele que não mede a simpatia
e cuja empolgação nos causa espanto.

Prefiro a companhia de um macaco
ao papo desta gente linguaruda
que vive só pra encher o nosso saco.

Se está angustiado, não se iluda.
O chato sempre trás sob o sovaco,
além do cheiro, um livro de auto-ajuda.

André Prosperi

Soneto Verde

Posted: sábado, 8 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Respeito quem protege a natureza,
quem cuida das plantinhas e dos bichos.
Confesso que até eu separo os lixos,
poupando ao catador esta despesa.

Ocorre que, entretanto, a via oposta
demonstra um quadro muito diferente:
quem vive como eu não é mais gente,
é monstro que se mata e come bosta.

Controlam o meu tempo de chuveiro,
e só porque não nego à grama a poda
me tratam como horrível baleeiro.

Não é o preconceito que incomoda,
é ter de ouvir conselho o tempo inteiro
Agora que ser chato virou moda.


André Prosperi

TeleSoneto

Posted: quarta-feira, 5 de maio de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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O mal não tem dinheiro, mas trabalha.
Tem voz mas não tem face - coisa irônica!
Enquanto a gente chora ele gargalha,
polindo o vil crachá da telefonica.

Pastamos em seu vasto latifúndio
a um passo do suicídio. Ruminando
os verbos conjugados no gerúndio
(perdoem-me os Arlindos e os Fernandos).

- Senhor, o protocolo não condiz.
Assim o atendimento não caminha...
- Mas eu nem anotei, seu infeliz!

Pois bem, nosso pudor se desalinha,
e quando a gente se encoraja e diz:
“seu filho de uma... ” putz, cai a linha.


André Prosperi

16° Encontro Cultural Dona Eta

Posted: domingo, 2 de maio de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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O 16° Encontro Cultural Dona Eta cumpre seu objetivo de levar à comunidade atividades lítero-artístico-pictórico-culturais e espera satisfazer a expectativa de todos os amigos e apreciadores que têm prestigiado o evento ao longo desses 15 anos.

Dia 1°, 8, 15, 22, 29 - sábado – 17 horas – Rádio Clube – Dona Eta, Música e Poesia – Programa Valdemir Barbosa – Memória do Som

Dia 3 - 2ª.feira - 20 h 30 min – Espaço Lucy Menezes – Rua Bartolomeu Bueno, 218
Bordados e pedrarias – (2ª. Fase) e Dança Oriental Árabe

Dia 5 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Espaço CULTrURAL – Km.4 da Estrada da Pedrinha, ao lado do Pesqueiro Tambaqui – Sarau dirigido por Marisa Papa, com a presença dos convidados Levi e Tereza, Lico, Johni e outros
Ana Cecília Pará Láua autografará seu livro “Um todo sentimental”.

Dia 7 - 6ª. feira – 20 h 30 min - SENAC - Av. João Batista Rangel de Camargo, 50 - “Há tempos...” - Exposição de Fotos de Sila Maria e Pinturas (Aquarela e “Needle Felting”) de Beth Aragão - Apresentação da Cia de Eventos! CABARET CARMEN(*) e Noite de Autógrafos dos poetas Clebber Bianchi (Taubaté), Fabiano Garcez (Guarulhos), Jurandir Rodrigues (Cachoeira Paulista) e Paulo Franco (Ribeirão Pires), com apresentação do Selo Editorial “Vale em Poesia”.

Dia 8 – Sábado – 20 h 30 min – Auditório do São Joaquim - Rua Dom Bosco, 284 – Centro - Lorena
Dança : “Espaço Expressão” – Escola de Dança e Teatro – Com direção de Layla Mulinari, o Espaço Expressão , de Lorena, apresenta seus trabalhos de 2010, envolvendo suas pesquisas em jazz, dança contemporânea, hip-hop, balé clássico, dentre outros!
(Apoio da Prefeitura Municipal de Lorena através da
Secretaria da Cultura de Lorena e Assessoria de Eventos)

Dia 9 – Dia das Mães – Domingo – 20 horas – Praça Dr. Arnolfo de Azevedo, em LORENA
Talita Moura & Guto Dominguez (Clarinete e violão, professores do Projeto Guri) e
Grupo de Metais da Casa de Cultura de Lorena ( sob a regência do Maestro Washington de Oliveira Souza).
(Espetáculo oferecido pela Prefeitura Municipal de Lorena através da Secretaria da Cultura de Lorena e Assessoria de Eventos)

Dia 10 – 2ª. feira – 20 h 30 min – Museu Frei Galvão – Praça Conselheiro Rodrigues Alves – Exposição - Óleo sobre chapa -Aglaé Moraes Quissak Pereira – “Retratos e Flores” – Óleo sobre tela- Denise Nozaki (Dize Nozaki) – “Canção do Coração” e Hilton Antunes Fernandes – “Casarios”, com a participação especial do pintor Mário Lourenço Fernandes (9 anos).

Dia 12 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Catedral de Santo Antônio – Banda Militar do 5º BIL de Lorena, Coral Maria de Nazareth de Lorena e Coral Apparecendo de Aparecida
Convidados especiais: Bianca Côbbo, 17 anos, soprano, de São João Del Rey; Nair Antunes Cavaterra, Cecília Simas e Maestro e Tenente Jairo Ávila.

Dia 14 – 6ª. feira – 20 h 30 min – CCTI – Centro de Convivência da Terceira Idade “Terra das Garças” - Rua Júlio Soares Nogueira, 110 - Coral Unicanto, sob a regência da Maestrina Cecília Simas, com a participação de Carlinhos (Violão)

Dia 15 – Sábado – 20 h 30 min – Igreja de São Pedro (Nova Guará) – Apresentação do Coral Vozes do Forte (Composto pelo Contingente de Militares do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana) – Coordenação Geral do 2° Sargento Antonio Marcos e Regência do Professor Fabiano Martins.

Dia 16 – Domingo – 18 horas – Casa de Repouso Santa Isabel – Rua Tamandaré, 451 – Tarde da Saudade - Fon Cipolli e Luiz Carlos Lucafe e Dança pelo Grupo da Melhor Idade Pega Leve, dirigida por Magda Honda (Projeto Sefras-Serviço Franciscano de Solidariedade).

Dia 17 – 2a. feira – 17 horas – Cemitério Senhor dos Passos – Seresteiros e Coral daFaculdade de Engenharia de Guaratinguetá/UNESP

Dia 18 – 3ª. feira - 16 horas – Creche Chico Xavier - Rua Benjamin Constant, 140 – Projeto Piracema – Terapia do Riso

Dia 19 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Igreja de Nossa Senhora das Graças – Rua Vigário Martiniano, 288 – Apresentação dos Corais - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá / UNESP, Faculdade de Odontologia de São José dos Campos / UNESP e Libercanto, regidos pela Maestrina Sandra Sampaio. Participação do Quarteto de Cordas - Profs. José Otávio Salvador Lemes Silva (violino), Elizeu Moreira (violino), Denis Rangel (viola) e Fábio Gomes (violoncelo)

Dia 21 – 6ª. feira – 20 h 30 min – Mercure – Av. Dr. Carlos Rebello Júnior, 341 - Exposição de Fotos – “Paisagens Brasileiras” – Eduardo Issa

Dia 24 – 2ª. feira – 20 h 30 min – Igreja de Santa Rita – Praça Santa Rita - Dona Eta, Música, Poesia e Pintura – Música com nomes de mulheres, interpretadas por Letícia e Lílian Pará, Poesias de Tonho França e trabalhos de artistas plásticos, com a participação especial da pintora Maíra Bazzarelli Monteiro dos Santos, 15 anos, vencedora do Concurso de Poesia Sítio do Juca 2009.

Dia 25 – 3ª. feira – 20 h 30 min – Organização Guará de Ensino – Av. Pedro de Toledo, 195 - Banda Sinfônica da Escola de Especialista de Aeronáutica

Dia 26 – 4ª. feira – 20 h 30 min – Associação Agro-Pecuária – Praça Santo Antônio
Trio Flávio Augusto, Crilza e Cori - “Eta Rosa de Maio!”

Dia 27 – 5ª. feira - 20 h 30 min - SOS – Rua Dona Nenê Figueiredo, 81 – Campo do Galvão - Palestra do Dr. Celso Zymon – Viver naturalmente saudável – Transforme a sua vida e seja feliz.

Dia 28 – 6ª. feira – 20 h 30 min - Casa do Puríssimo Coração de Maria – Av. João Pessoa, 677 – Pedregulho- Grupo de Teatro UNATI-UNESP , apresenta a Peça - Amor de Dom Perlimplin com Belisa em seu jardim, de Federico Garcia Lorca. Direção:Thaís Costa Fróis. Orientação: Heitor Saraiva, do Projeto Ademar Guerra, da Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo.

Dia 29 – Sábado – Do meio-dia às 20 horas – 1ª. Feira de Artes Natural Vegan / Sítio do Juca – Comemoração do 1° Ano do Natural Vegan - Praça Homero Ottoni – Banda BlackTie Brazilian Jazz, Seresteiros de Guaratinguetá, Nair Antunes Cavaterra e a dupla Levi e Tereza.

Dia 30 – Domingo – 18 horas – Itaguará Country Clube, Praça 13 de Maio – ENCERRAMENTO - “Estação de Dança”, sob a direção da Profa. Rosana Rangel, apresentando: Dança de Salão, Dança de Rua, Dança do Ventre, Jazz Juvenil e Sapateado.

A liberdade e a Disjunção Exclusiva

Posted: quinta-feira, 29 de abril de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores: , ,
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Estes tempos ocuparam minha alma com algumas reflexões. Inúteis, é certo, mas não menos curiosas.

Tenho verificado que, na maioria das vezes, o avançar da história nos proporciona simplesmente uma inversão de vias, de tal modo que as possibilidades se nos apresentam em disjunção exclusiva. Explicarei:
Antigamente, os pais chegavam aos filhos e diziam: "És homem, fumemos juntos teu primeiro cigarro". Hoje, entretanto, com o avanço da história e o progresso da humanidade, o pai diz ao filho: "És homem. Pega este charuto e enfia no cú.". Ou seja, houve época em que fumar era bonito e ser viado era feio; hoje é o contrário. Até certa época eu só era livre para foder meu pulmão, hoje só posso foder me ânus. Eis a disjunção exclusiva.
Considerando o contínuo ascender da raça humana, verificado claramente no aperfeiçoamento técnico, deveríamos alcançar a liberdade em disjunção não-exclusiva, de modo que fosse lícito e digno de respeito dar o cú fumando.

Exemplo da diferença entre as disjunções exclusiva e não-exclusiva:

Considere que:
D = Dar o Cú
F = Fumar

Disjunção Exclusiva:
(D v F) então (~D ^ F) v (D ^ ~F)
Trad. Se dou o cú ou fumo, então, ou não dou o cú e fumo ou dou o cú e não fumo.

Disjunção não-exclusiva:
(D v F) então (~D ^ F) v (D ^~F) v (D ^ F)
Trad. Se dou o cú ou fumo, então, ou não dou o cú e fumo, ou dou o cú e não fumo ou dou o cú e fumo.

Todos concordam que, em se tratando de liberdade, o segundo caso melhor nos contempla.


André Prosperi

Download - Réu e Condenado

Posted: sexta-feira, 26 de março de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Finalmente consegui o CD do Réu e condenado e, como não se encontra mais para comprar, estou compartilhando com vcs. Se der algum pepino com o link me avisem!!!



Vídeo do lançamento de Diálogos que ainda restam

Posted: domingo, 14 de março de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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Convite:

Posted: quarta-feira, 3 de março de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Soneto da Sorte

Posted: quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
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Em mim há tanto orgulho e tanta pena
Que eu já nem sei qual lado é o que mais pesa
De um lado a sorte, alheia, me despreza
De outro o azar afoito me condena

Venci a maratona dos infaustos
não há no mundo homem mais cagado
se houvesse outro, o deus do azar, coitado,
de tanto trabalhar, morria exausto

Mas se foder na vida às vezes dói
Afeta o equilíbrio e a auto-estima
Nos faz pensar que não somos heróis

Até que alguma coisa nos anima
Nos tira de baixo do que corrói
E põe-nos a tomar no cú por cima.

Os diálogos que ainda restam

Posted: quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Eryck Magalhães
Ao debruçar-se sobre a história literária e estudar minuciosamente toda a sua trajetória, deparamo-nos com uma imensa gama de textos, temas e estilos. Diante disso, o impasse: Ainda restam diálogos? Ainda há o que contar? O poeta Fabiano Fernandes Garcez, através de seus belos versos, mostra que sim, e o faz com muita propriedade. Em seus “Diálogos que ainda restam”,poema a poema, o autor revela a capacidade que a poesia tem de se reinventar.
No poema “Diálogos”, o poeta aborda a banalização do uso das palavras, que por ora, parecem vazias em si mesmas: “Não sinto a profundidade / em todos os diálogos”. O bucolismo é outra vertente que também se faz presente, principalmente no belíssimo poema “Minha preferida” o qual nos remete aos poemas árcades. Porém, o eu-lírico, apesar de se mostrar saudosista, faz referência a seu tempo: “Ah! Colhe flores / Hoje ninguém mais faz isso / Colhe flores!”. A inquietude do homem contemporâneo consigo mesmo já é outra temática deste poeta multifacetado, e para abordá-la, o autor lança mão da intertextualidade nos poemas “Eu não sou eu” e “Sou nada”. Já no poema “Mulher”, a figura feminina é literalmente divinizada: “Para mim, Deus é mulher”. Entretanto, um erotismo que se mostra inocente permeia nos vãos dos versos: “de colo e seios fartos, para nos confortar”. Em uma série de poemas sobre “As Lembranças de Minha Avó”, o poeta faz sua reverência à importância que as mães de nossas mães tem em nossas vidas.
Sem mais delongas, que muitos outros diálogos ainda restem e que ecoem nos versos deste poeta.

Vale em Poesia entrevista o poeta Fabiano Fernandes Garcez

Posted: quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Vale em Poesia – Qual a importância da poesia, da música, da dança, do teatro, do cinema, das artes plásticas, enfim, da arte na sua vida?

Fabiano Fernandes Garcez - A arte é muito importante na vida de todos, é pela arte que sentimos o que não é sentido, é pela arte que tornamos consciente aquilo que nos é inconsciente. Gosto de todas as manifestações artísticas, principalmente a literatura, o cinema, as artes plásticas e o teatro, não tinha muita afinidade com a dança, até que me casei com uma professora de dança e coreógrafa, então passei a prestar mais atenção e pude perceber como é importante para o espírito humano a manifestação corporal, ainda não aprendi a dançar, mas já passei a apreciá-la.


VP - Você acredita que o jovem de hoje valoriza algumas manifestações artísticas como a poesia ou a literatura, o teatro, a música clássica e as artes plásticas? Por quê?

FFGNão. Devido a minha profissão, de professor, percebo que tudo isso é muito distante dos jovens, a não ser a música comercial e o cinema de entretenimento, porém percebo que apresentando essas outras manifestações artísticas a eles e, principalmente, guiando seus olhares a coisa muda de figura, mas de primeira eles não gostam e até criticam aquilo que não conhecem muito, cabe a nós fazer o papel de guia, de cicerone para eles. Certa vez, quando trabalhei em um projeto social, fiz uma atividade com a música Meu Grui do Chico, a meninada toda torceu o nariz, depois fiz uma breve explanação sobre a letra, então um menino me disse que não gostava de Chico Buarque, mas essa música era legal, perguntei quais outras músicas do Chico ele conhecia e ele me respondeu: Só essa!


VP – Você acha que uma utilização mais efetiva da poesia, da música, das artes plásticas, do cinema, enfim, da arte no processo educacional enalteceria a sensibilidade das pessoas, de modo a fazer com que as pessoas se tornem pessoas melhores?

FFG -  Claro que sim! Lembro-me de uma entrevista de Ferreira Gullar em que ele afirma mais ou menos o seguinte: Você pode viver bem, mas se você conhece Drummond você vive melhor ainda! Só por meio da arte que o ser humano toma contato com a humanidade que nesses tempos anda desaparecida de todos os seres. Pois quem vê, por foto mesmo, o teto da Capela Sistina, ou o Davi de Michelangelo, quem assiste a um filme como Cidadão Kane, Peixe Grande ou A Vila, só para citar três, quem lê os versos de Ferreira Gullar, Adélia Prado, Bandeira, Vinicius, ou quaisquer outras das inúmeras manifestações do gênio humano, não pode ficar sendo a mesma pessoa que era antes.

VP – Quem escreve, escreve sempre para ser lido, por muitos ou por poucos, mas para ser lido. Quem seriam seus leitores?

FFG -  Sempre escrevi para as pessoas comuns, na verdade a poesia elitista nunca me tocou, acho que o poeta tem ser complexo na mensagem, não na forma ou no vocabulário, gostaria que as pessoas simples lessem meus poemas, as lavadeiras, os porteiros, os motoristas, é para eles que escrevo, creio eu que são eles que necessitam, não da minha, mas de qualquer poesia. Lembro de uma entrevista, não sei com quem, que dizia que Pablo Neruda era considerado o maior poeta do Chile, porque ele escrevia para os pescadores, resolvi que era isso que eu queria para o meu texto.

VP – Você acompanha o atual panorama da poesia contemporânea brasileira?

FFG -  Sim, tento me manter atento aos poetas de meu tempo, vejo com bons olhos a poesia contemporânea, existem ótimos poetas novos, digamos dos anos 90 para cá, de cabeça posso citar alguns que gosto muito: Tonho França, César Magalhães Borges, Fábio Weintraub, Tarso de Melo, Pádua Fernandes, Claudio Daniel e Claudia Roquette-Pinto, esses eu acompanho já algum tempo, mas além desses existem outro menos conhecidos, são meus amigos e escrevem muito bem: Noemi Moura, Maria de Lourdes Alba, Cleber Bianchi, Jurandir Rodrigues. Além de tudo isso, existem poetas que estão produzindo muito, mas apenas em Blogs e ainda não publicaram livro algum.

VP - Como é a feitura de seus poemas? Tem algum método especial de construção?

FFG -  Não. Alguns escrevo de uma vez, eles veem prontos, outros escrevo apenas um verso e depois de muito tempo faço o resto, às vezes escrevo apenas idéias e desenvolvo o poema a partir delas, ou então escrevo como prosa e transformo em poema, no ano passado escrevi uma série de 80 poemas em apenas duas semanas, depois passei a cortá-los, modificá-los e excluí-los e sobraram 50. Às vezes escrevo direto no computador, às vezes faço rascunhos em papéis, meu único método de escrita é não ter método nenhum.

VP – Como foi a concepção do livro?

FFG -  Diálogos que ainda restam na verdade não era um livro, quase todos os poemas entrariam em Poesia se é que há, o meu primeiro, nele estão poemas que escrevi desde meus 14 anos (anos 90) até o ano de 2008, mas a quantidade de páginas ficou muito grande, quase 200, então pensei melhor e publiquei primeiramente apenas os poemas mais antigos, que são os estão em Poesia... . Depois relendo os poemas que sobraram, percebi que eles tinham um tema central, mesmo sendo tão diferentes entre si, achei que eles se referiam à comunicação ou a falta dela, então passei a ler e relê-los e dividi-los em capítulos, aí me veio o nome: Diálogos que ainda restam, quando o livro ficou pronto, pedi auxílio ao grande poeta César Magalhães Borges, que foi meu professor na universidade e depois disso passei a ter amizade, e ele me ajudou, com alguns pitacos poéticos a dar um tom mais lírico, diferente de Poesia... , então passei a mandar o livro para algumas editoras. Entrei em contato com outro amigo, o maior poeta de Guará, Tonho França, para que ele me recomendasse para sua editora, a Multifoco, foi então que ele me disse que estava abrindo um selo por essa editora e me pediu o material, mandei, ele leu e gostou. Assim surgiram Diálogos que ainda restam.

SONETO AO MEU AMOR

Posted: by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Se amor é um fogo ou é uma ferida
Ou apenas um querer bruto e fero
Ou então uma prisão de mãos regidas
Amo-te total bicho mistério

Amor meu fecha a porta escura
Amamo-nos tranqüilos ao rio
Tu, branco cisne como candura
Estendo-te a mão laço de fio

Prende-me o amor, não é dos tolos
Nem dos sábios; é apenas o teu
Camões, Bocage, Garret e Pessoa

Neruda e Castro Alves, Vinicius
Tomei versos, palavras à toa
Cantar, cantei a ti: Meu amor e vício

Diálogos que ainda restam,  p.39

O VIOLÃO

Posted: terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Pego o violão

tiro a capa
tiro a poeira

O violão branco
de madeira

Passo a mão em sua cintura
(tem corpo de mulher)
Poso para foto
Por posar

Pois não toco
nunca toquei

Ele sempre me tocou
com seu som
nas tardes de cantoria
nas noites de serenatas que eu assistia
nas manhãs que ele me acordava e eu não queria

Penso em fazer soar suas cordas,
um acorde qualquer,
não faço

Pois não toco
Nunca toquei

O violão já trouxe melodia
alegria e até poesia
Hoje não toca mais 

Diálogos que ainda restam  p.23

EU NÃO SOU EU

Posted: quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
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Eu não sou eu, sou outro
E outro que não o outro, que não eu
Eu sou outro e outro e
outros tantos e eu

Se sou eu que é outro
o eu que sou também não sou eu
Com tantos eu, outro e outros eus,
como posso olhar algo e dizer: isso é meu?

Como pode ser meu,
se o eu que sou não sou eu?
Quando eu digo meu,
o eu pode estar se referindo ao meu que é do outro
o outro que não sou eu,
então, esse algo é seu!

Mas se sou eu e outro
o outro também sou eu
Aquilo que é seu é meu!

Eu Fabiano, Fernando, Carlos
que diferença faz, se todos os outros sou eu

Eu sou o outro e os outros
sem deixar de ser eu
      sou eu e sou outro
e os outros sou eu

Mas os outros que não o outro,
que não os outros outros
que não eu, também sou eu?

Diálogos que ainda restam p. 43

Um tempo que escorre aos olhos

Posted: quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores: ,
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Por Fabiano Fernandes Garcez

            Em À medida dos Tempos, livro de estréia de Clebber Bianchi, percebe-se que no decorrer da obra o poeta amadurece seu canto, amplia suas impressões e expressões, suas visões e percepções de um tempo impossível de se aprisionar, mesmo depois de capturado pelo retrato fotográfico, restando ao olhar lírico apenas a nostalgia de um tempo tardio, mesmo que recente:    
Do peito,
escorre a chama suja dos tempos.
O olhar é simples, singelo,
apenas os tempos são capazes de testemunhá-lo.
O sorriso amarelou no retrato
e a fala muda enalteceu a lembrança.
Somente o sonho sobreviveu.
E a saudade vive nas tardes,
sob as folhas das mangueiras,
a cada lágrima que cai.
           
            Clebber nos dá mosta do labor poético que preza a fenomenologia do olhar, olhar este que se volta para as coisas sem importância, coisas à toa e, por isso mesmo, são de grande valia e merecem ser recordadas:
Haverá um tempo
em que o passado estará exposto
no reflexo das cores orvalhadas
das flores do jardim da janela dos fundos.
As goteiras farão as rimas dos versos
que contarão a história.
O silêncio que havia na casa grande
havia entre os odores do curral.
O galo que há pouco cantou
propiciou reminiscências,
que os roncos dos motores e buzinas,
além do apitar cotidiano da fábrica, apagaram.

                                                                       RETRATOS

            A observação subjetiva das coisas simples, singelas, ganha um forte aliado, sua sintaxe também simples, sem afetações linguísticas de um discurso meramente formalista, que pouco comunica. O discurso poético de Clebber comunica bastante, para isso o campo léxico de À medida dos tempos é cotidiano, comum, no entanto é nessa simplicidade de dizer que é dito muito sobre a solidão, os sonhos infantis e até sobre o fato de se perder as palavras, restando apenas a contemplação sensorial do momento:     
Daqui de cima tudo é solitário.
Viver acima
é encontrar-se surdamente
falando para si mesmo.
Esta é a minha casa da árvore (sonho de criança)
financiada em duzentos e quarenta meses, além de alienada.

Quando enlouqueço e grito lá para baixo,
somente as buzinas respondem.
Em seguida, as palavras não me vêm.
Apenas o pio da andorinha,
um pio, um só.
Apenas uma andorinha,
uma andorinha apenas.
                                                                       UMA ANDORINHA
           
            Cleber vale-se de alguns recursos poéticos, apesar de sua linguagem acessível, como por exemplo, paradoxos e antíteses:
O tempo é permissivo
aos contentamentos descontentes.
Vejo que tudo acontece ao mesmo tempo agora
no cenário dos dias na cidade...
                                                                       PESARES DO TEMPO

Hoje, o tempo me veio solteiro,
em uma noite daquelas em que a melhor companhia era a
solidão.
                                                                       EU INTRA
            além disso, em alguns poemas vê-se um jogo com os diferentes valores semânticos de uma mesma palavra, como em MÁSCARA:
Um ser sem sentir-se
um sentir-se sem ser.
            porém é nas belíssimas imagens poéticas que Clebber Bianchi se mostra mais criativo:
Enquanto os sapos coaxam de sede,
O sol atravessa a pele da terra,
e meus ombros são minha camada de ozônio.
                                                                       DESALINHO

Cansei de respirar uma felicidade esbaforida,
cansada de se engasgar no soluço sórdido,
numa exatidão sem nexo e triste de alma.
(...)
Bastou-me um santo
e ajoelhei-me sobre as cinzas carbonizadas do meu consciente.
                                                                       DILATEM, PUPILAS!

            O poeta também se utiliza de alguns recursos sonoros que fazem com que os seus poemas ganhem em musicalidade e ecoem em nossos ouvidos. Um desses recursos, é o eco fonético, ou seja, aproximação de palavras semelhantes sonoramente:
Eu era um descaso do acaso,
angariado na contramão de uma grande avenida
Os brilhos dos olhos lagrimantes de saudade
de um tempo escorrido nos relógios
refletiam a esperança do passado,
apagada na realidade de um presente sério.
                                                                       TEMPO DE REZA

            Outro recurso utilizado pelo poeta é a onomatopéia:
O relógio tinha que tá, tinha que tá
mas não tá.
(esta foi a única coisa que o tempo parou!)
                                                                       MANTO NEGRO

             Clebber mostra em seus versos, não raro, a influência de Tonho França, e faz uma homenagem à altura do poeta de Guaratinguetá em CHARUTO CUBANO:
Uma lágrima seca escorreu-me de canto
e o canto do pintassilgo emudeceu na gaiola.
Minha cachaça perdeu o gosto quente,
exposta ao sol dos dias.
Mesmo uma pimenta aberta no prato
caçoava minha coragem.
Senti desconforto
e, sob meus pés,
o vácuo das manhãs sem sal provocava saudades.
É contínua a direção dos ventos,
segundo os sonhos,
seguindo sempre somente e só...

Os apoios que me sustentam
são espinhos tristes, sanções expressionistas,
cenários de Van Gogh.
Meu peito dilatado
ressalva as atitudes corriqueiras nas janelas
temperadas de línguas.

E sobre a rede ...
... e sobre a rede,
somente um legítimo charuto cubano
fazia-me companhia,
e entre um trago e outro
trago saudades.
Ao fundo,
solos de blues...
Solos de blues,
à tarde.

As acácias choravam suas perdas,
e as folhas caíam como eu,
solitariamente...

            Outro destaque do livro é OLHOS FECHADOS, poema com uma vertente ecológica e, dado aos problemas ambientais, quem sabe, profético:
A culpa é nossa!
Uma culpa com a imensidão do verso,
do céu-fumaça, estradas-pet, sertão-papel. Culpa tamanha!
O sonho é esperança contida no escorrer das águas nas sarje­tas,
nas mãos atadas dos pobres de espírito,
no papel de bala que perfurou o vento
e não pesou sobre a mente poluída.

É o início do fim. (...)

            Le Goff em História e Memória diz:
“a memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia”.
Com base nessa afirmação, só resta encerrar a resenha com os belíssimos versos de SEXO DOS TEMPOS, sem antes render as devidas congratulações ao poeta que surge à tempo:

Sou atemporal.
Minhas memórias não morrerão minhas