Soneto Homicida

Posted: domingo, 25 de janeiro de 2009 by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
0

Modernidade, veja minha espada.
Lhe mostro, sem temor e sem ternura,
dela, a ponta afiada que perfura
e a borda em detalhes trabalhada

Vem, prova desta lâmina assassina.
Forjada por um bárbaro alemão
que aos onze foi morar no Paquistão
e tem seu ganha pão, hoje, na China.

Modernidade, é certa tua morte.
Agora, farei jus ao que é antigo
E em vez de tiro, ganharás um corte.

Um corte do pescoço até o umbigo,
depois entrego o teu futuro à sorte.
E por favor, não ria enquanto eu digo.

André Prosperi

Prece ao prédio

Posted: by O Blog dos Poetas Vivos in Marcadores:
1

Oh prédio, arquitetônica expressão
composta, entre outras coisas, de cimento.
Carrega na cabeça o firmamento
enquanto, sob os pés, espreme o chão

No esôfago comporta um elevador
que leva e traz, com mais facilidade,
O sumo sugado da humanidade.
Suor salgado, filho do labor.

Permita a mim que eu fique do outro lado,
eu rogo a ti, ilustre monumento
que fica erguido, em pé, porém, parado.

Engula-me também lá para dentro
Depois me cuspa privilegiado
Munido de gravata e sem lamento.

André Prosperi

SE JESUS VOLTASSE HOJE

Posted: by Fabiano Fernandes Garcez in Marcadores:
0

video